Intro

Bem vindo ao blog Cuiqueiros, um espaço exclusivamente dedicado à cuica – instrumento musical pertencente à família dos tambores de fricção – e aos seus instrumentistas, os cuiqueiros. Sua criação e manutenção são fruto da curiosidade pessoal do músico e pesquisador Paulinho Bicolor a respeito do universo “cuiquístico” em seus mais variados aspectos. A proposta é debater sobre temas de contexto histórico, técnico e musical, e também sobre as peculiaridades deste instrumento tão característico da música brasileira. Basicamente através de textos, vídeos e músicas, pretende-se contribuir para que a cuica seja cada vez mais conhecida e admirada em todo o mundo, revelando sua graça, magia, beleza e mistério.

(To best view this blog use the Google Chrome browser)

sábado, 26 de novembro de 2016

Livro: Na bateria da escola de samba


CAPA - Na bateria da escola de samba

Natal chegando, aqui vai a dica de um ótimo presente para uma criança ou adolescente que se interesse por samba. Publicado em 2014 pela editora Gryphos, "Na bateria da escola de samba" é um livro do pianista, compositor e arranjador Leandro Braga, contando com a colaboração de Mangueirinha como consultor técnico e lindas ilustrações de Axel Sande. Trata-se de uma obra com informações sucintas, mas muito instrutivas, por exemplo, sobre "como é formada a bateria, quais os instrumentos a compõem, quantos são os músicos, como é organizada, como são os ensaios. E ainda traz um CD que reproduz o som de todos os instrumentos". Com relação à cuica, o livro apresenta o texto reproduzido a seguir, bem como o áudio de duas gravações ilustrativas acessíveis no player logo abaixo:

A cuica é um instrumento muito peculiar. Seu corpo é de metal e tem uma pele de couro em um dos lados. Em seu centro é amarrada a ponta de uma vareta de bambu, formando uma espécie de umbigo. A mão direita fica dentro do instrumento, friccionando a vareta com um pano úmido. Os dedos da mão esquerda fazem uma pressão maior ou menor sobre o couro da cuica, pelo lado de fora. Quando apertam a pele, o som fica mais agudo. Quando soltam, o som fica mais grave. É um dos instrumentos preferidos pelos ritmistas de idade mais avançada, pois exige menos esforço físico mas, ainda assim, bastante habilidade. Normalmente uma bateria traz de 20 a 25 cuicas.


O site Estante Virtual disponibiliza alguns exemplares deste livro para compra. Apesar de se direcionar ao público infanto-juvenil, é uma leitura que cai bem para todas as idades. Vale a pena conferir!
.

sábado, 1 de outubro de 2016

Vídeo 19 - Cuica Feat (Fabiano Salek)

Entre os diversos bons cuiqueiros espalhados mundo afora, se há um nome que não pode passar despercebido é este: Fabiano Salek. Nesse vídeo temos uma prova do seu talento, que na verdade vai bem além da cuica. Salek é integrante do grupo Sururu na Roda, onde não só toca como também canta, e desenvolve um belo trabalho de ensino musical na escola Maracatu Brasil à frente da Oficina Roda de Samba. Não à toa, foi ele quem gravou os exercícios de cuica registrados no método de percussão Batuque é um privilégio, de Oscar Bolão. Mas com a licença de seus múltiplos talentos, cabe enfatizar aqui a sutileza com que executa sua cuica, fazendo lembrar o estilo do grande mestre Ovídio Brito. Fica agora a oportunidade de apreciar e procurarmos apreender algo da técnica e criatividade desse músico completo e cuiqueiro da melhor qualidade!


.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Disco: O baile do gato

O amigo Marcello Portelense compartilhou recentemente no Facebook uma interessante matéria intitulada "As vidas de um gato sambista" baseada na imagem desse gato tocando cuica, criada pelo cartunista Ziraldo, e impressa em um adesivo promocional do carnaval carioca de 1968. O autor da matéria, Alexandre Medeiros, conta que o felino já havia figurado como símbolo do carnaval de 1967 em outro desenho, onde aparece tocando tamborim, e descreve como surgiu esse gato folião: 



Nos anos 60, era a Secretaria de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro que ficava a frente dos preparativos para o carnaval, incluindo a decoração das ruas, a organização do desfile das agremiações carnavalescas, a criação e distribuição de material promocional e outras providências para o acontecimento da festa. Para 1967, a Secretaria resolveu escolher um gato como símbolo daquele carnaval. A justificativa dada pelo Secretário Carlos Laet pela escolha não poderia parecer mais inusitada: “É ele o maior sacrificado da folia, pois de sua pele fazem-se as cuicas e os tamborins que também marcam o ritmo contagiante das escolas de samba e dos denominados blocos que desfilam nas ruas cariocas no tríduo da folia”. Para dar vida a este infausto felino foi convidado o já famoso cartunista Ziraldo, que mesmo achando a justificativa oficial “um tanto trágica”, cria uma figura alegre, elegante e carnavalizada, registrando sutilmente no jogo de cores a nefasta sina do animal que toca um instrumento feito do seu próprio couro.

Continue lendo AQUI